«Detox» cerebral ou «Detox» digital?
Ciência revela o que acontece quando passamos dias desligados das redes
19 de agosto, 2026

Imagem gerada por IA
Está no trabalho, em casa, em atividades de lazer e recebe várias notificações. Alguém fez um comentário no Facebook, publicou no Instagram, discutiu ideias no Linkedin. Estes são alguns dos exemplos que nos acompanham no dia a dia e nos mantêm mais acelerados e em constante estado de alerta.
A ciência decidiu debruçar-se sobre este tema para testar o que acontece quando nos afastamos das redes sociais, por exemplo nos dias de folga, com uma pequena amostra.
A Universidade de Harvard e a Universidade de Bath juntaram-se na realização do estudo, publicado na revista JAMA Network Open, que consistiu na redução significativa do tempo diário despendido nas redes sociais.
295 dos 373 jovens (dos 18 aos 24 anos) implicados na investigação aceitaram o desafio: durante uma semana, reduzir o tempo passado nas redes de 2 horas para 30 minutos.
Os resultados obtidos não deixaram margem para dúvidas. Os sintomas de depressão diminuíram cerca de 25%, os de ansiedade cerca de 16% e os problemas de insónias reduziram-se à volta dos 14%.
Curiosamente, a privação das redes sociais não evidenciou qualquer sensação de solidão, o que sugere que estas continuam a desempenhar um papel real de ligação social. No entanto, deixamos a ressalva de que a redução do tempo passado nas redes sociais, não se traduziu num menor tempo de ecrã, uma vez que a navegação, a visualização de vídeos e as mensagens foram as apostas durante o tempo de utilização. É possível, então, concluir que, efetivamente, a alteração de comportamento tem ligação direta com as redes e não com a utilização do telemóvel.
Os especialistas referem que isto se verifica, porque as plataformas acabam por ser uma fonte de recompensas rápidas e imprevisíveis (gostos, comentários, publicações) que ativam os circuitos de recompensa do cérebro, de forma semelhante a outros comportamentos aditivos.
Muitas pessoas acabam por estar constantemente a fazer «scroll» - de forma viciante e até sem se aperceberem -, por causa da imprevisibilidade constante de não se saber o que vem a seguir.
Também pode ser aqui que assenta o doomscrolling, a procura de notícias negativas com a consciência de que isso nos deixa mais ansiosos e/ou tristes.
Mais, o relatório Online Nation 2025, da Ofcom, mostra que os britânicos adultos passam, em média, 4,5 horas diárias online, na grande maioria, no telemóvel.
Este contexto tem alimentado um verdadeiro movimento de «desconexão», de acordo com o The Guardian, com a promoção de retiros sem telemóvel, cafés e espaços sociais que pedem aos clientes para guardar os dispositivos à entrada, e até spas que impõem políticas rigorosas «zero telemóveis».
Para que a decisão de escolha passe por cada um, enaltecemos os efeitos do «detox» digital. Melhoria do descanso, pelo não recurso à luz azul e ao estímulo mental. Menos interrupções e alternância entre estímulos favorece a capacidade de concentração e atenção. Afastamento do fluxo constante de conteúdo idealizado reduz a exposição a gatilhos de comparação social, um fator frequentemente associado a sintomas depressivos.
As pessoas que experimentam a pausa digital acabam por revelar que redescobrem atividades como a leitura, as caminhadas ou, tão simplesmente, conversas presenciais mais demoradas.
A Universidade de Harvard e a Universidade de Bath juntaram-se na realização do estudo, publicado na revista JAMA Network Open, que consistiu na redução significativa do tempo diário despendido nas redes sociais.
295 dos 373 jovens (dos 18 aos 24 anos) implicados na investigação aceitaram o desafio: durante uma semana, reduzir o tempo passado nas redes de 2 horas para 30 minutos.
Os resultados obtidos não deixaram margem para dúvidas. Os sintomas de depressão diminuíram cerca de 25%, os de ansiedade cerca de 16% e os problemas de insónias reduziram-se à volta dos 14%.
Curiosamente, a privação das redes sociais não evidenciou qualquer sensação de solidão, o que sugere que estas continuam a desempenhar um papel real de ligação social. No entanto, deixamos a ressalva de que a redução do tempo passado nas redes sociais, não se traduziu num menor tempo de ecrã, uma vez que a navegação, a visualização de vídeos e as mensagens foram as apostas durante o tempo de utilização. É possível, então, concluir que, efetivamente, a alteração de comportamento tem ligação direta com as redes e não com a utilização do telemóvel.
Os especialistas referem que isto se verifica, porque as plataformas acabam por ser uma fonte de recompensas rápidas e imprevisíveis (gostos, comentários, publicações) que ativam os circuitos de recompensa do cérebro, de forma semelhante a outros comportamentos aditivos.
Muitas pessoas acabam por estar constantemente a fazer «scroll» - de forma viciante e até sem se aperceberem -, por causa da imprevisibilidade constante de não se saber o que vem a seguir.
Também pode ser aqui que assenta o doomscrolling, a procura de notícias negativas com a consciência de que isso nos deixa mais ansiosos e/ou tristes.
Mais, o relatório Online Nation 2025, da Ofcom, mostra que os britânicos adultos passam, em média, 4,5 horas diárias online, na grande maioria, no telemóvel.
Este contexto tem alimentado um verdadeiro movimento de «desconexão», de acordo com o The Guardian, com a promoção de retiros sem telemóvel, cafés e espaços sociais que pedem aos clientes para guardar os dispositivos à entrada, e até spas que impõem políticas rigorosas «zero telemóveis».
Para que a decisão de escolha passe por cada um, enaltecemos os efeitos do «detox» digital. Melhoria do descanso, pelo não recurso à luz azul e ao estímulo mental. Menos interrupções e alternância entre estímulos favorece a capacidade de concentração e atenção. Afastamento do fluxo constante de conteúdo idealizado reduz a exposição a gatilhos de comparação social, um fator frequentemente associado a sintomas depressivos.
As pessoas que experimentam a pausa digital acabam por revelar que redescobrem atividades como a leitura, as caminhadas ou, tão simplesmente, conversas presenciais mais demoradas.
